Nos últimos anos, algumas plataformas de transporte por aplicativo passaram a exigir que os passageiros cadastrassem uma foto de perfil antes de utilizarem o serviço. A medida, apresentada como um avanço na segurança dos motoristas, prometia oferecer uma identificação visual mínima de quem solicitava a corrida. A proposta, em teoria, permitiria que o condutor reconhecesse possíveis riscos e decidisse com mais autonomia sobre aceitar ou não a viagem.
No entanto, o que se verifica na prática é que essa funcionalidade tem se mostrado ineficaz e meramente simbólica. Não existe qualquer critério rígido para a qualidade ou autenticidade da foto enviada pelo usuário. Em muitos casos, o que aparece no sistema do aplicativo é uma imagem desfocada, um objeto qualquer, um pedaço de papel, um print da tela de outro celular — ou, pior, nenhuma imagem que revele de fato o rosto do passageiro.
Essa falha estrutural compromete completamente a utilidade da medida. Sem uma imagem confiável, o motorista permanece sem saber quem está prestes a entrar no veículo. A falsa sensação de segurança pode até induzir o condutor ao erro, acreditando estar protegido por um recurso que, na prática, não cumpre sua função. Em vez de fornecer proteção, a funcionalidade passa a camuflar a falta de mecanismos reais de controle e verificação por parte das plataformas.
O resultado é que motoristas continuam expostos, muitas vezes em rotas desconhecidas, sem qualquer respaldo prévio de identificação por parte dos passageiros. Enquanto isso, os aplicativos se beneficiam da narrativa de que estão investindo em segurança, mas não garantem o básico: um sistema de verificação que funcione de verdade. Essa desconexão entre o discurso e a prática precisa ser denunciada e corrigida com urgência.