A criação de mecanismos de emergência, como o botão do pânico, é uma das medidas mais defendidas por quem realmente vive a rotina do transporte por aplicativo. Tanto motoristas quanto donos de frotas reconhecem a importância do dispositivo, que pode ser acionado em situações de risco, garantindo respostas mais rápidas e aumentando a segurança para todos os envolvidos.
A Lei 25.003/2024, aprovada em Minas Gerais, determina que os próprios motoristas sejam responsáveis pela instalação do botão de pânico em seus veículos. No entanto, a parte mais importante da legislação — e também a mais ignorada pelas empresas — é que as plataformas são obrigadas a manter uma central de monitoramento em funcionamento 24h por dia, recebendo e acompanhando em tempo real os alertas emitidos. Ou seja, o botão por si só não basta: é preciso haver uma rede estruturada de suporte para que a medida funcione com eficácia.
E é justamente nesse ponto que as plataformas resistem. Embora aleguem que carros alugados são um impeditivo para a instalação (o que não é verdade, já que muitas locadoras e frotistas são favoráveis à medida), o verdadeiro entrave está no investimento que as empresas teriam que fazer para criar e manter essas centrais de emergência.
Criar uma estrutura funcional de atendimento em tempo real, com pessoal qualificado, tecnologia de rastreamento e integração com forças de segurança exige recursos, planejamento e responsabilidade, algo que muitas plataformas evitam justamente por reduzir suas margens de lucro. O resultado é uma série de justificativas técnicas frágeis para adiar ou descumprir a regulamentação, mesmo quando vidas estão em risco.